No âmbito das comemorações do 89.º aniversário da Banda S. Cristóvão de Rio Tinto, a Junta de Freguesia procedeu à entrega do 4.º azulejo do Mural “Identidade, Memória e Comunidade”, reforçando o compromisso com a valorização da história e da memória coletiva da freguesia.
O azulejo agora integrado no mural é dedicado a Ordonho II – O Rei de Leão, figura associada às campanhas militares do início do século X, num período marcado pelo confronto entre cristãos e muçulmanos na Península Ibérica.
A tradição local evoca esses confrontos nas margens de um ribeiro, onde teriam combatido forças cristãs ligadas ao rei Ordonho II e ao Conde de Portucale, Hermenegildo Guterres, cujas famílias se cruzam através de Elvira Mendes, filha do conde e rainha consorte de Leão.
Do lado islâmico, a memória histórica associa o poder muçulmano ao Califado de Córdova, então sob liderança de Abd al-Rahman III, símbolo maior da presença islâmica na Península.
Segundo a tradição popular, a violência dos combates teria sido tal que o sangue derramado tingiu as águas do ribeiro, dando origem ao topónimo Rio Tinto. Independentemente da dimensão lendária da narrativa, esta memória integra o imaginário coletivo da freguesia e constitui um elemento estruturante da sua identidade histórica.
Integrado na Série I – Figuras e Memórias Humanas de Rio Tinto, o azulejo dedicado a Ordonho II assume essa dimensão simbólica, valorizando a memória como fundamento da identidade cultural e comunitária.
O Mural “Identidade, Memória e Comunidade” continua assim a crescer, peça a peça, afirmando-se como um projeto estruturante de valorização do património histórico e do sentimento de pertença da população de Rio Tinto.